Agosto 20, 2008

Em defesa de Pio XII

Organizações e personalidades judaicas representativas reconheceram várias vezes oficialmente a sabedoria da diplomacia do Papa Pio XII. Por exemplo, na quinta-feira 7 de Setembro de 1945 Giuseppe Nathan, Comissário da União das Comunidades Israelitas Italianas, declarou:

«Em primeiro lugar dirigimos uma reverente homenagem de reconhecimento ao Sumo Pontífice, aos religiosos e às religiosas que, actuando as directrizes do Santo Padre, não viram nos perseguidos senão irmãos, e com impulso e abnegação prestaram a sua obra inteligente e eficaz para nos socorrer, não tendo medo dos gravíssimos perigos a que se expunham» (L’Osserv. Rom. ed. quot. de 8/9/1945, pág. 2).

No dia 21 de Setembro do mesmo ano, Pio XII recebeu o Dr. A. Leo Kubowitzki, Secretário-Geral do «World Jewish Congress», em audiência para apresentar

«ao Santo Padre, em nome da União das Comunidades Israelitas, os mais sentidos agradecimentos pela obra realizada pela Igreja católica a favor da população judaica em toda a Europa durante a guerra» (L’Osserv. Rom. ed. quot. de 23/9/1945, pág. 1).

Na quinta-feira, 29 de Novembro de 1945, o Papa recebeu cerca de 80 delegados dos refugiados judeus, provenientes dos campos de concentração na Alemanha, que vieram manifestar-lhe

«a suma honra de poder agradecer pessoalmente ao Santo Padre a sua generosidade demonstrada para com eles, perseguidos durante o terrível período do nazifascismo» (L’Osserv. Rom. ed. quot. de 30/11/1945, pág. 1).

Em 1958, por ocasião da morte do Papa Pio XII, Golda Meir enviou uma eloquente mensagem:

«Compartilhamos a tristeza da humanidade… Quando o terrível martírio se abateu sobre o nosso povo, a voz do Papa elevou-se em favor das suas vítimas. A vida do nosso tempo foi enriquecida por uma voz que falou claramente acerca das grandes verdades morais, acima do tumulto do conflito quotidiano. Choramos um grande servidor da paz».

FONTE: Comissão para as relações religiosas com o Judaísmo.Nós recordamos: uma reflexão sobre o Shoah. Nota 16
http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/chrstuni/documents/
rc_pc_chrstuni_doc_16031998_shoah_po.html

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A Igreja condenou o racismo nazista.

Essa condenação apareceu pela primeira vez na pregação de alguns membros do clero [alemão], no ensinamento público dos Bispos católicos e nos escritos de jornalistas católicos. Já em Fevereiro e Março de 1931, o Cardeal Bertram de WrocLaw, o Cardeal Faulhaber e os Bispos da Baviera, os Bispos da Província de Colónia e os da Província de Friburgo publicaram Cartas pastorais que condenavam o nacional-socialismo, com a sua idolatria da raça e do Estado (10). No mesmo ano em que o nacional-socialismo chegou ao poder, em 1933, os famosos sermões do Advento do Cardeal Faulhaber, aos quais assistiram não só católicos, mas também protestantes e judeus, tiveram expressões de claro repúdio da propaganda nazista anti-semítica (11). A seguir à Kristallnacht, Bernard Lichtenberg, prepósito da Catedral de Berlim, elevou orações públicas pelos judeus. Ele morreu depois em Dachau e foi declarado Beato.

Também o Papa Pio XI condenou o racismo nazista de modo solene na Encíclica Mit brennender Sorge (12), que foi lida nas igrejas da Alemanha no Domingo da Paixão de 1937, iniciativa que provocou ataques e sanções contra membros do clero. No dia 6 de Setembro de 1938, ao dirigir-se a um grupo de peregrinos belgas, Pio XI afirmou: «O anti-semitismo é inaceitável. Espiritualmente, todos somos semitas» (13). Pio XII, desde a sua primeira Encíclica Summi Pontificatus (14), de 20 de Outubro de 1939, pôs de sobreaviso contra as teorias que negavam a unidade da raça humana e contra a deificação do Estado, o que ele previa que haveriam de conduzir a uma verdadeira «hora das trevas» (15).

notas

10) Cf. B. STATIEWSKI (Ed.), Akten deutscher Bischöfe über die Lage der Kirche, 1933-1945, vol. I, 1933-1934 (Mainz 1968), Apêndice.
11) Cf. L. VOLK, Der Bayerische Episkopat und der Nationalsozialismus 1930- 1934 (Mainz 1966), pp. 170-174.
12) 14 de Março de 1937: AAS 29 (1937), 145-167.
13) La Documentation Catholique, 29 (1938), col. 1460.
14) AAS 31 (1939), 413-453.
15) Ibid., 449.

FONTE: Comissão para as relações religiosas com o Judaísmo.Nós recordamos: uma reflexão sobre o Shoah.

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Rivalidades e nacionalismos.

Fala um francês: Jules Michelet (1798-1874).

ENTRE TÃO NUMEROSOS, SÓLIDOS E LOUVÁVEIS PREDICADOS, tem o grande povo inglês um vício que lhe põe a perder as qualidades. Esse vício imenso, profundo, é o orgulho. Enfermidade cruel, mas que nem por isso deixa de ser para os ingleses o princípio vital, a explicação das suas contradições, o segredo dos seus atos. Nos ingleses, virtudes e crimes são quase sempre orgulho; os seus ridículos também derivam do orgulho. Esse orgulho prodigiosamente sensível e doloroso os faz sofrer infinitamente; e é ainda orgulho o que os ajuda a ocultar esses sofrimentos; estes, porém, transparecem; o idioma inglês tem dois vocábulos peculiares, dois termos expressivos: “disappointment” e “mortification”. Essa adoração do eu, esse culto interior da criatura por si mesma (…) é a impiedade suprema.

Eis por que, não obstante a seriedade, a honradez aparente, a feição bíblica do espírito inglês, nação alguma está mais longe da graça. O povo britânico é a única nacionalidade que não pôde reivindicar a “Imitação de Cristo”. Um francês podia escrever esse livro, como um alemão, um italiano; um inglês, nunca. De Shakespeare a Milton, de Milton a Byron, a bela e severa literatura inglêsa é céptica, (….) anticristã.

(Jules Michelet. Joana d´Arc. Casa Editora Vecchi Ltda. p.190. S/D).

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Agosto 18, 2008

O problema do método

O chamado mundo moderno apresenta-se com um problema preeminente e quase exclusivo - o do método. Não mais o problema do princípio do saber, que é também, e sobretudo, ontológico-metafísico, mas dele prescindindo até ser relegado entre os não-problemas. O problema do método para conhecer tudo quanto sucede neste mundo, conhecimento cada vez mais limitado às coisas, e aos chamados fatos de experiência, e entendido como meio que tem como finalidade dominar melhor o mundo, finalidade esta, também meio, para construir a Cidade do homem, autosuficiente e fim último dos indivíduos singulares e da história. Operada esta redução do saber e do pensar a método sem princípio, e, por conseguinte, odiando a verdade, até à substituição do princípio pelo método, é inevitável a redução de todos os valores aos práticos, dominadores tirânicos e substitutivos dos outros, do conhecimento a critérios pragmáticos, com fins cada vez mais utilitários, econômicos: é este o caminho, que coincidiu com o gradual obscurecimento da inteligência, que se deu no Ocidente … Desde então - e para todo o Ocidente que se manteve nesta linha - não só a Filosofia foi negada como ciência, mas também foi posta a serviço das ideologias políticas e econômicas, único campo, e poderosíssimo, de toda a atividade humana.

(Miguel Sciacca. El oscurecimiento de la inteligencia, Trad. Juan Ruiz Cuevas, Ed. Gredos, Madrid, 1973, pp. 112 e 113. Citado por D. Odilão Moura em O ente e a essência. Presença. Rio. 1981. p.32).

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Agosto 15, 2008

Assunta

Que grandeza, que qualidades, que virtudes não deveremos nós contemplar nesta Mãe para ser não só Mãe de Deus, mas idônea, competente, congruente e, numa só palavra, digna Mãe de Deus ? Que excelência, que perfeição, que magnificência lhe não deveria convir para esta dignidade ? Cale-se aqui a língua de carne, porque este é assunto que excede ao nosso entendimento, à nossa expressão.

(…)

Ela só confessa que o Onipotente a fez grande: fecit mihi magna qui potens est; mas essa grandeza, qual grandeza seja, deixa-o em silêncio a sua humildade, e a nossa contemplaçao não a compreende. São Jerônimo diz que toda a enchente das graças que teve o Filho, teve, ainda que de outro modo, a Mãe. Enfim, para que nos cansamos? De tantos mil livros que escreveram os Santos Padres, nenhum diz mais do que o livro da geração de Jesus Cristo, em que se compreende todo o louvor e toda a longa história da Santa Virgem nestas brevíssimas palavras: “Maria, da qual nasceu Jesus”.

Mas qual Jesus? O Filho de Deus, o esplendor do Pai, o candor da luz eterna, a honra do Mundo, a formosura do Mundo, o remédio do Mundo; a quem os Anjos sempre desejam ver, e a quem os homens sempre devem seguir. Que mais do que isto podemos dizer da Santa Virgem ? Que foi humilde, que foi pura, que foi santa, que foi cheia de graça e de virtudes ? Que superfluidade ! Por ventura poderia a Mãe de Deus ser soberba, iracunda, impura ou imperfeita ? Que glória, que esplendor, que virtude, que graça e que perfeição lhe não convinha e lhe não seria devida para ser Mãe de Deus? O Homem que dela nasceu foi o mesmo Altíssimo que a fundou; e qual a deveria fabricar o mesmo Artífice, que a elegeu para dela nascer ? Eis aqui o ponto em que vêm a parar os vôos de todas as penas dos Anselmos, dos Fulgêncios, dos Bernardos, dos Idelfonsos, dos Damiãos, e dos Boaventuras.

(Sermão de Nossa Senhora do Carmo, ignoto autor luso do século XVIII)

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Bolsa Família

Huiusce modi oratione habita Marius, postquam plebis animos arrectos videt, propere commeatu, stipendio, armis aliisque utilibus nauis onerat, cum his A. Manlium legatum proficisci iubet. Ipse interea milites scribere, non more maiorum neque ex classibus, sed uti libido cuiusque erat, capite censos plerosque. Id factum alii inopia bonorum, alii per ambitionem consulis memorabant, quod ab eo genere celebratus auctusque erat et homini potentiam quaerenti egentissimus quisque opportunissimus(*) , cui neque sua cara, quippe quae nulla sunt, et omnia cum pretio honesta videntur. Igitur Marius cum aliquanto maiore numero, quam decretum erat, in Africam profectus paucis diebus Vticam aduehitur. Exercitus ei traditur a P. Rutilio legato; nam Metellus conspectum Mari fugerat, ne videret ea, quae audita animus tolerare nequiuerat.

(Salústio, Guerra de Jugurta, 86).

(*) “para quem busca o poder, o mais necessitado é [também] o mais útil”.

Salústio: 86-34 a.C.
Aliás, http://www.thelatinlibrary.com/.

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Agosto 14, 2008

Em Londres, os tribunais islâmicos aplicam a sharia (Magdi Allam).

Em Londres, os tribunais islâmicos aplicam a sharia: milhares de sentenças sobre matrimônio, divórcio e herança. Assim, a religião se torna lei.

Qual de vocês sabe que na Grã-Bretanha há dúzias de tribunais islâmicos que legislam e emitem vereditos baseados na sharia, a lei islâmica? Com juízes e cortes que se reúnem dentro das mesquitas, dos centros islâmicos e das escolas corânicas, que já emitiram dezenas de milhares de sentenças relativas ao estado civil e familiar dos muçulmanos do Reino, principalmente em matéria de matrimônio e divórcio, heranças e disputas patrimoniais? Eis uma inquietante realidade que existe desde 1982.

Uma realidade que é fruto degenerado da ideologia do multiculturalismo que, depois de ter conturbado a sociedade dividindo-a em guetos urbanos, escolares, étnicos e confessionais em conflito com os autóctones (…), permitiu que se criasse um duplo ordenamento jurídico em que a sharia ombreia com lei do Estado e a põe em risco.

O primeiro tribunal islâmico na Grã-Bretanha foi instituído em 1982, em Leyton, a Este de Londres, com o nome de «Conselho da sharia Islâmica». O secretário geral é Suhaib Hasan, membro do Cerf, organismo presidido pelo apologeta do terrorismo islâmico suicida Youssef Qaradawi, líder espiritual e jurídico da Fraternidade Muçulmana na Europa, a quem a Grã-Bretanha negou há pouco o visto de entrada.

Magdi Allam
26 fevereiro de 2008

http://www.corriere.it/cronache/08_febbraio_26/allam_tribunali_islamici_londra_dbb4f5c4-e433-11dc-9486-0003ba99c667.shtml

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Agosto 13, 2008

Divulgação: “O Magistério Vivo da Igreja”.

A Orientação Pastoral “O Magistério Vivo da Igreja”, de Dom Fernando Arêas Rifan, bispo da Igreja católica, oferece ao leitor boas reflexões e ensinamentos acerca de alguns desvios doutrinais em voga. Leia o documento no site da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney - Campos.

Trecho

Certa vez, um grupo de turistas visitava um parque florestal, cheio de caminhos e trilhas, com muitas indicações. Eles seguiam as placas indicativas, mas mesmo assim, como algumas placas nem sempre têm um sentido claro, tiveram dúvidas, acabaram tomando um caminho errado e se perdendo. Felizmente, apareceu um guia que mandou que o seguissem e os conduziu seguramente aonde pretendiam ir.

Por que aqueles caminhantes tiveram dúvidas e se perderam, mesmo olhando as indicações escritas? Porque as placas de indicação não são vivas. Elas não caminham conosco. Há certas ocasiões em que, mesmo com elas, ficamos em dúvida e corremos o risco de nos perdermos. Surgem, então, várias interpretações e, conseqüentemente, divisões e perigos. É preciso um guia vivo, seguro, que caminhe conosco, que resolva as dúvidas que poderão surgir durante a caminhada; um guia, com garantias de segurança, que interprete as placas de sinalização.

Outra comparação. As leis de trânsito dizem que, se houver um policial orientando o tráfego, suas ordens terão preferência sobre os demais dispositivos. Porque pode haver alguma circunstância necessária que exija uma orientação do policial diferente da letra do dispositivo.

Seria um contra-senso e um grande risco se algum turista ou motorista quisesse, apontando para as placas ou sinais, contestar as indicações do guia ou do guarda presentes, que sabem de circunstâncias muitas vezes ignoradas pelos viajantes e que estão ali exatamente para nos guiar e indicar o melhor caminho.

Sumário

I. OBJETIVO DESTA INSTRUÇÃO PASTORAL
II. INTRODUÇÃO – COMPARAÇÕES
III. A INSTITUIÇÃO DO MAGISTÉRIO VIVO
IV. QUE É UM MAGISTÉRIO VIVO?
V. MAGISTÉRIO CONTÍNUO, SEM INTERRUPÇÃO
VI. GARANTIA DA ASSISTÊNCIA DIVINA CONTRA O ERRO
VII. ACATAMENTO DO MAGISTÉRIO MESMO NÃO INFALÍVEL
VIII. O GUIA ORIENTA NAS DIVERSAS CIRCUNSTÂNCIAS
IX. PERIGO DO “MAGISTÉRIO” PARALELO
PRIMEIRA CONSEQUÊNCIA APLICAÇÃO DESSES PRINCÍPIOS TEOLÓGICOS: A QUESTÃO DA MISSA
SEGUNDA CONSEQÜÊNCIA APLICAÇÃO DESSES PRINCÍPIOS TEOLÓGICOS: O CONCÍLIO VATICANO II
XIV. CONCLUSÃO FINAL

NOTAS

Carta dos Padres

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Agosto 12, 2008

D. Estêvão Bettencourt, OSB: lúcido, tranqüilo, honesto.

Heresias e Tradição
por D. Estêvão Bettencourt

Quem lê os escritos dos tradicionalistas, verifica neles a obsessão pelo inimigos (anticristos), que, com as suas heresias, querem destruir o Catolicismo. - Conseqüentemente procuram nos documentos oficiais da Igreja os textos que proferem condenações de erros e heresias. Ora os Concílios muitas vezes promulgaram cânones que rejeitavam com anatematismos os erros da respectiva época. Todavia a enfatização desses cânones nem sempre leva ao conhecimento exato da verdade de fé pode mesmo levar a outros erros; com efeito, condenar um erro ainda não é formular a autêntica doutrina. Quem julga que a reta fé está contida na proposição contraditória àquela condenada, pode chegar a verdadeiros abusos. Aliás, foi isto que o modernista Alfred Loisy fez, considerando as sentenças condenadas pelo Decreto Lamentabili de Pio X; tomou as contraditórias como verídicas - o que deu origem a outras proposições errôneas.

A própria Lógica ensina: De negatione erroris sequitur quodlibet (da negação do erro, segue-se qualquer proposição). Por exemplo, quem nega que o papel seja branco, não quer dizer automaticamente que o papel é preto (pode ser azul, amarelo, pardo…); quem nega que alguém seja velho, não quer dizer que esse alguém é jovem…; há matizes entre as duas proposições contraditórias. Por conseguinte, os cânones fecham caminhos sem saída, mas não abrem as genuínas vias. Compete ao estudioso que lê tais condenações, recolocar o problema e procurar, a partir das premissas da fé, a solução autêntica para o mesmo. Este trabalho é especialmente delicado quando as condenações da Igreja versam sobre situações momentâneas, sujeitas a evoluir; por exemplo, os conceitos de democracia, liberdade, igualdade tinham conotações nocivas, propensas ao ateísmo, no século XVIII, conotações que não mais existem no século XX; portanto, não se pode dizer que, se a democracia era atéia e condenável em 1789, ela o deva ser em 1980/90; se a união da Igreja e do Estado era desejável em séculos passados, disto não se segue que o seja também no século XX.

FONTE: Revista “Pergunte e Responderemos” Nº 513, Ano 2005

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Agosto 11, 2008

Surpérfluo (1)

Os educadores, sobretudo quando inspirados por um afã de praticismo, pensam que o que se deve fazer com os jovens é prepará-los do modo mais concreto possível para a vida como ela é, deixando de lado todas as disciplinas e enfoques que parecem ornamentais, suntuários e supérfluos. Acontece, porém, que a vida histórica tem a peculiaridade de estar em constante mutação. A história é permanente inquietude e mutação. De modo que, se se educa um jovem preparando-o concretamente para a vida tal qual é hoje, quando ele chega à idade adulta, vai surpreender-se vendo-a inteiramente diferente. Quanto mais praticamente preparado estiver para a primeira, tanto mais desajustado estará para a que virá encontrar, na qual tem que atuar. É o que chamei de anacronismo constitutivo da usual pedagogia… Pois bem, a Inglaterra, não sei se com consciência bem clara disso, ou graças à infalível penumbra do instinto, resolve a contradição pelo inverso: faz com que durante alguns anos, a sua melhor juventude vá viver em Atenas, no século de Péricles. Quer dizer que, em vez de adaptá-la ao tempo presente, projeta-a fora de todo o tempo, uma vez que o século de Péricles é uma data irreal, um tempo imaginário, convencional e paradigmático, que compreende idealmente qualquer tempo determinado. Dentro dessa Grécia irreal, são educados os jovens nas formas essenciais de viver, isto é, preparam-se neles puras disponibilidades capazes de se ajustarem às mais diversas situações concretas, precisamente porque não estão, de antemão, modelados singularmente por nenhuma”. (ORTEGA Y GASSET, J. Una interpretatión de la Historia Universal. Revista de Occidente, Madrid, 1960).

(negrito nosso).

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